27.11.06

o papel do inconsciente na actividade criativa

you are welcome to elsinore

AO LONGO DA MURALHA

Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis à boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Mário Cesariny

O Surrealismo foi um movimento artístico e literário surgido em Paris nos anos 20, inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo, reunindo artistas anteriormente ligados ao Dadaísmo e posteriormente expandido para outros países. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939), o surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na actividade criativa. Os seus representantes mais conhecidos são Max Ernst, René Magritte e Salvador Dalí no campo das artes plásticas e André Breton na literatura.
(in Wikipédia)

Em Portugal, acabou no dia 26 de Novembro de 2006.

13.11.06

CATAVENTO

É uma pequena "Agenda de Acontecimentos do Concelho de Palmela". Mensal, com excelente apresentação e muita informação.

Habituei-me a esta pequena agenda. Aguardo, no fim do mês, com expectativa, a saída do número seguinte. O que tenho, agora, ao meu lado, é referente a Novembro. Capa e contracapa em tons castanhos com as castanhas e os seus ouriços. É de uma apresentação gráfica quase perfeita. Em cada folha se manifesta o bom gosto e a informação útil. Sobre o concelho. Sobre Pinhal Novo, que é a que mais me interessa. E nunca fiquei desiludido por não trazer o programa que esperava. É útil para quem quer ter uma visão do que acontece neste concelho. É prática e versátil. Nela se encontram os filmes a exibir durante o mês, as exposições, os encontros, os locais onde pode comer ou dormir, a música que poderá ouvir e atreve-se a recomendar livros, discos, teatro e cinema.

É uma das preciosidades do concelho de Palmela. Temos que saber dar-lhe o melhor uso possível.

10.11.06

Há condutores e há chicos espertos

Um anónimo comentou, no post anterior, que mais valia andar de carro em Pinhal Novo do que correr o risco de morrer a pé. Para além de óbvio, tão válido como afirmar que mais vale andar a pé do que correr o risco de morrer de carro, esse comentário implica outras coisas.

A superioridade de andar de carro. Quem o faz adquire, imediatamente, alguns privilégios, mais notórios em Pinhal Novo, pequena vila em desenvolvimento, do que em Lisboa, por exemplo. Aqui, nesta terra, os carros têm direito a estacionar em qualquer local onde caibam. Um passeio, não é espaço reservado a peões. É mais um sítio onde se pode estacionar sem ter que andar uns metros para ocupar um lugar adequado. Se a rua é estreita e não podem estacionar dois carros, não há problema, vai para cima do passeio, os que andam a pé que se safem como conseguirem. Então, no verão, com o calor a apertar e o sol a bater forte, para quê deixar o carro à torreira se, junto aos prédios, em cima dos passeios, há tantos lugares à sombra.

Claro que se um inválido, em cadeira de rodas, tiver que passar pela estrada isso não é problema deles. Se em muitos locais até há rampas para eles não terem que galgar passeios e estragarem as jantes, só os parvos é que não aproveitam. Pessoas a empurrar o carrinho do bebé, que por culpa deles não podem passar onde é mais seguro, vão para o meio da rua que é o lugar de carros, carrinhos e tudo o que tenha rodas para andar. Para estacionar é que servem os passeios.

Aqui, em Pinhal Novo, é fácil assistir a alguém a arrumar o carro junto ao prédio onde vai entrar, sem se preocupar com o facto de 20 metros mais à frente existirem vários lugares livres, próprios para esse fim. Ou reparam e não se importam, que de noite pode-lhes dar a saudade de ver o carro e se ele estiver debaixo da janela é muito mais prático.

Sim, reconheço a validade da afirmação do anónimo. Ter carro é ter um passe que dá direito a várias regalias. Atropelar ou assustar peões nas passadeiras é outra delas. Buzinar a qualquer hora do dia, é mais uma. Ir ao bar tomar qualquer coisa e deixar três carros bloqueados por se ter estacionado no meio da rua, constitui outra. Há mais, mas estas já me envergonham o suficiente por lhes chamarem seres humanos.

Aqueles e aquelas que conduzem e procuram, o melhor possível, para além do cumprimento da lei, portarem-se com civilidade, que não desanimem. Ouvirão, algumas vezes, esses chicos espertos a chamarem-lhes nabos ou pior. Em algumas ocasiões até serão prejudicados por eles. Muitas vezes terão que ter cuidados redobrados com tais condutores. Mas o facto de saberem que não fazem o mesmo que eles deve dar algum orgulho, não?