7.12.06

Erro meu, má fortuna

Não gosto do post anterior. Porque é que o coloquei? Porque me pediram. Podia ter dito que não, que não era o estilo, que não vinha a propósito, qualquer coisa. Mas não fui capaz. Achei que não faria mal, não tinha importância por aí além, podia ser transigente e simpático.

O pior é que fiquei a pensar na cedência. Começa-se por pequenas coisas; é só um jeito, uma coisa sem importância, sem maldade, um pequeno favor. Agora, posso imaginar, a Isabel chega-se ao pé de mim e pede-me que fale de determinado assunto. Como dizer-lhe que não? Então fazes isso ao fulano e a mim não? Imagino que ela não o faria, mas é uma possibilidade. Depois, viria um colega e pedia-me para escrever sobre o lixo que tem à porta de casa. Era um assunto importante, referente à Vila, porque não o havia de fazer?

E, continuo a imaginar, as coisas seguiriam por aí fora até que me decidisse a dizer não de uma vez por todas ou acabasse a fazer a defesa da criminalização do aborto, só para fazer um favor porque até escrevo melhor que quem o pedia.

Acho que está na altura de relembrar o que tenho escrito por baixo do título "ABROLHO":
"Onde se escreve sobre tudo e a propósito de nada, desde que seja o que me apetece."

Acabou-se a imaginação e a incapacidade de dizer não. Porque me apetece!