AS PALAVRAS FEIAS
Fizeste 18 anos. Na mensagem que te mandei a dar os parabéns, escrevi que já podias dizer palavrões. Percebeste a brincadeira e mandaste-me à merda.
Ontem, quando a família estava reunida para festejar o teu aniversário, voltaste a meter-te comigo brincando com o assunto. Não era o sítio, nem a altura certa para tudo o que te queria dizer. Hoje, com calma, sem barulho, com tempo, vou explicar-me para além da provocação que te fiz.
As palavras, palavrões, asneiras (neste sentido) e as palavras feias têm todas o mesmo valor. São palavras com um determinado significado. Isso sabes tu e não te vou explicar. O que é preciso saber é como fazer uso delas. Para além da correcção gramatical e linguística existe a sensibilidade que nos leva a usar a palavra necessária, no momento certo. É preciso não ter medo de as dizer. Uma das que mais custa é "desculpa"; outra, por estranho que ainda te possa parecer, é "gosto de ti". Claro que também é preciso saber dizer não, mas essa já tu usas e abusas dela.
Os palavrões são apenas "muletas" de que nos devemos socorrer quando necessário. Sei que também não achas piada nenhuma aos pseudo humoristas que dizem três asneiras para cada adjectivo. E sim, há quem se ria só por ouvir uma espécie de adulto a dizer tais coisas. É humor fácil, estúpido, imbecil e para pessoas do mesmo valor.
Há ocasiões em que usarás os termos certos e oportunos: uma raiva súbita, uma dor irritante, um palerma provocador, o teu reconhecimento de um engano, um desabafo, uma partida que te pregaram, etc. etc.
Não é o uso dos ditos "palavrões" que vão demonstrar a tua maturidade. Já o demonstraste ainda antes dos 18 anos. As palavras que te vão custar dizer é que vão ser significativas. Conto com o teu bom senso para não deixares de as usar por vergonha, por medo do ridículo ou com receio que trocem de ti. Hás-de ver que as pessoas a quem as disseres as saberão apreciar.
Sei algumas palavras feias. Não será próprio um tio ensinar tais coisas. Mas não resisto, toma lá nota: "esdrúxula"; "retumbância"; "fascismo"; "mefistofélico" e algumas outras.
Tu saberás fazer o teu dicionário de palavras feias e bonitas. Saberás usá-las com conta, peso e medida. Já sabes muita coisa, mas ainda tens uma vida pela tua frente. Terás bons e maus momentos. Aprenderás a avaliar os gestos, as palavras e os outros. Por exemplo: que os tios gostam muito de dizer coisas.
Um beijinho de parabéns e vai-te divertir em vez de perderes mais tempo com esta merda!
Ontem, quando a família estava reunida para festejar o teu aniversário, voltaste a meter-te comigo brincando com o assunto. Não era o sítio, nem a altura certa para tudo o que te queria dizer. Hoje, com calma, sem barulho, com tempo, vou explicar-me para além da provocação que te fiz.
As palavras, palavrões, asneiras (neste sentido) e as palavras feias têm todas o mesmo valor. São palavras com um determinado significado. Isso sabes tu e não te vou explicar. O que é preciso saber é como fazer uso delas. Para além da correcção gramatical e linguística existe a sensibilidade que nos leva a usar a palavra necessária, no momento certo. É preciso não ter medo de as dizer. Uma das que mais custa é "desculpa"; outra, por estranho que ainda te possa parecer, é "gosto de ti". Claro que também é preciso saber dizer não, mas essa já tu usas e abusas dela.
Os palavrões são apenas "muletas" de que nos devemos socorrer quando necessário. Sei que também não achas piada nenhuma aos pseudo humoristas que dizem três asneiras para cada adjectivo. E sim, há quem se ria só por ouvir uma espécie de adulto a dizer tais coisas. É humor fácil, estúpido, imbecil e para pessoas do mesmo valor.
Há ocasiões em que usarás os termos certos e oportunos: uma raiva súbita, uma dor irritante, um palerma provocador, o teu reconhecimento de um engano, um desabafo, uma partida que te pregaram, etc. etc.
Não é o uso dos ditos "palavrões" que vão demonstrar a tua maturidade. Já o demonstraste ainda antes dos 18 anos. As palavras que te vão custar dizer é que vão ser significativas. Conto com o teu bom senso para não deixares de as usar por vergonha, por medo do ridículo ou com receio que trocem de ti. Hás-de ver que as pessoas a quem as disseres as saberão apreciar.
Sei algumas palavras feias. Não será próprio um tio ensinar tais coisas. Mas não resisto, toma lá nota: "esdrúxula"; "retumbância"; "fascismo"; "mefistofélico" e algumas outras.
Tu saberás fazer o teu dicionário de palavras feias e bonitas. Saberás usá-las com conta, peso e medida. Já sabes muita coisa, mas ainda tens uma vida pela tua frente. Terás bons e maus momentos. Aprenderás a avaliar os gestos, as palavras e os outros. Por exemplo: que os tios gostam muito de dizer coisas.
Um beijinho de parabéns e vai-te divertir em vez de perderes mais tempo com esta merda!


3 Comments:
Também sou tio e subscrevo!
É um "papel" incómodo, mas gratificante. Às vezes apetece-nos dar-lhes razão e temos que alinhar ao lado dos pais...
Mas, e tu também sabes bem, o relacionamento com os sobrinhos é especial, não é?
Eh pá Jorge, sou mais tio que pai, e esta?! Tantos irmãos e sobrinhos e durante tanto tempo, o que é querias? Mas também estou a gostar de ser pai, o João está-me a dar luta.
Abraço, a ligação chegou mesmo agora e foi um alívio. Deve ser qq coisa no Clix, a minha home.
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