29.12.06

AS LUZES

Não sou daqueles que consideram mal gasto o dinheiro que se utiliza na iluminação da vila, nesta quadra festiva. Se não fossem as luzes, muitas pessoas nem dariam pelo Natal e pelo Fim do Ano.
Assim, mesmo que saiam de casa só para ir até ao café, sempre partilham as boas-festas.

24.12.06

O COMÉRCIO TRADICIONAL

Esta quadra festiva deixa-me irritadiço. Não aguento mais de 15 minutos nos grandes centros comerciais e o comércio local tem muitas limitações.

Assim, quase nunca ofereço prendas neste período. Os meus familiares e amigos já se habituaram e vão aceitando as minhas manias. No entanto, há imponderáveis. Surgem para perturbar a minha ordem e para me obrigarem a ir às compras.

As grandes superfícies, normalmente, locais de romaria, nesta época são um caos. A música, as luzes, as cores alegres, a gente nova e bem disposta, tudo serve de chamariz para a festa. E as pessoas vão. E o ar de festa aumenta com o barulho desta alegre multidão. Famílias inteiras, casais, isolados, todos pretendem o seu momento de alegria e as tristezas que fiquem para o ano que vém. Eu tento. Mas devo sofrer de alguma fobia que me impede de tirar prazer dessas idas. A própria música me incomoda; as luzes a piscarem, a seguirem um desenho lógico de acende/apaga, deixam-me tonto; o mar de gente e a obrigação de ter cuidado com os da frente, com os do lado e com os que nos seguem, cansa-me. Vinte minutos, no máximo, é o que aguento.

Viro-me, então, para as lojas aqui ao lado. Para as da terra. Compro no comércio local e evito as confusões. Pode ser, ligeiramente, mais caro, mas compensa.

Pensava eu. Tive que ir, o tal imponderável de última hora, comprar um perfume. Sabia o que queria e onde havia. Não contava com as excelentes qualidades do comércio tradicional. A simpática empregada que atendia uma senhora, desfazia-se em sorrisos e estava sempre solícita para os pedidos da cliente. Esta, hesitava entre um botão, de determinada cor e feitio, e um outro, de outra cor e de outro feitio.

Eu estava a ver, na prateleira à minha frente, o que me tinha levado lá, mas a senhora não se decidia e a empregada não podia ser mais simpática. Corria a ir buscar mais uma caixa que talvez tivesse exactamente o que ela pretendia. Não, não eram bem daquele género. Ah! Então só podem ser destes. E outra caixa surgia com mais botões, mais cores, mais feitios.

Finalmente assustei-me. Olhe! São exactamente estes que quero. E vou levar os dois. A senhora percebeu muito bem o que eu queria. Por isso é que eu gosto de vir às lojas da nossa terra. Somos conhecidos, bem tratados, com respeito e simpatia e não há gentes aos empurrões nem ninguém a mandar-nos apressar.

Sim, fui bem atendido. Paguei um pouco mais do que pagaria no centro comercial. A empregada foi, também, simpática comigo. E, mesmo assim, não devo ter demorado mais do que se tivesse comprado numa qualquer catedral do consumo.

Então, porquê esta irritação? Porque é que continuo a jurar a mim próprio que nestes dias não me apanham a fazer compras? Salvo, claro está, alguma emergência de última hora...

7.12.06

Erro meu, má fortuna

Não gosto do post anterior. Porque é que o coloquei? Porque me pediram. Podia ter dito que não, que não era o estilo, que não vinha a propósito, qualquer coisa. Mas não fui capaz. Achei que não faria mal, não tinha importância por aí além, podia ser transigente e simpático.

O pior é que fiquei a pensar na cedência. Começa-se por pequenas coisas; é só um jeito, uma coisa sem importância, sem maldade, um pequeno favor. Agora, posso imaginar, a Isabel chega-se ao pé de mim e pede-me que fale de determinado assunto. Como dizer-lhe que não? Então fazes isso ao fulano e a mim não? Imagino que ela não o faria, mas é uma possibilidade. Depois, viria um colega e pedia-me para escrever sobre o lixo que tem à porta de casa. Era um assunto importante, referente à Vila, porque não o havia de fazer?

E, continuo a imaginar, as coisas seguiriam por aí fora até que me decidisse a dizer não de uma vez por todas ou acabasse a fazer a defesa da criminalização do aborto, só para fazer um favor porque até escrevo melhor que quem o pedia.

Acho que está na altura de relembrar o que tenho escrito por baixo do título "ABROLHO":
"Onde se escreve sobre tudo e a propósito de nada, desde que seja o que me apetece."

Acabou-se a imaginação e a incapacidade de dizer não. Porque me apetece!

6.12.06

SÓ PARA ADULTOS


A T E N Ç Ã O!

Este post está sujeito a controlo parental. Não é recomendável a pessoas impressionáveis, menores de 21, defensores dos direitos dos animais, hipertensos, doentes de sarcoidose, ministros, desempregados e f.p.! Vejam por vossa conta e risco. De modo algum o autor do blog pode ser responsabilizado por danos, perdas e sofrimentos.

(Para verem a imagem chocante, cliquem no rato)

2.12.06

AS PALAVRAS FEIAS

Fizeste 18 anos. Na mensagem que te mandei a dar os parabéns, escrevi que já podias dizer palavrões. Percebeste a brincadeira e mandaste-me à merda.
Ontem, quando a família estava reunida para festejar o teu aniversário, voltaste a meter-te comigo brincando com o assunto. Não era o sítio, nem a altura certa para tudo o que te queria dizer. Hoje, com calma, sem barulho, com tempo, vou explicar-me para além da provocação que te fiz.

As palavras, palavrões, asneiras (neste sentido) e as palavras feias têm todas o mesmo valor. São palavras com um determinado significado. Isso sabes tu e não te vou explicar. O que é preciso saber é como fazer uso delas. Para além da correcção gramatical e linguística existe a sensibilidade que nos leva a usar a palavra necessária, no momento certo. É preciso não ter medo de as dizer. Uma das que mais custa é "desculpa"; outra, por estranho que ainda te possa parecer, é "gosto de ti". Claro que também é preciso saber dizer não, mas essa já tu usas e abusas dela.

Os palavrões são apenas "muletas" de que nos devemos socorrer quando necessário. Sei que também não achas piada nenhuma aos pseudo humoristas que dizem três asneiras para cada adjectivo. E sim, há quem se ria só por ouvir uma espécie de adulto a dizer tais coisas. É humor fácil, estúpido, imbecil e para pessoas do mesmo valor.

Há ocasiões em que usarás os termos certos e oportunos: uma raiva súbita, uma dor irritante, um palerma provocador, o teu reconhecimento de um engano, um desabafo, uma partida que te pregaram, etc. etc.

Não é o uso dos ditos "palavrões" que vão demonstrar a tua maturidade. Já o demonstraste ainda antes dos 18 anos. As palavras que te vão custar dizer é que vão ser significativas. Conto com o teu bom senso para não deixares de as usar por vergonha, por medo do ridículo ou com receio que trocem de ti. Hás-de ver que as pessoas a quem as disseres as saberão apreciar.

Sei algumas palavras feias. Não será próprio um tio ensinar tais coisas. Mas não resisto, toma lá nota: "esdrúxula"; "retumbância"; "fascismo"; "mefistofélico" e algumas outras.

Tu saberás fazer o teu dicionário de palavras feias e bonitas. Saberás usá-las com conta, peso e medida. Já sabes muita coisa, mas ainda tens uma vida pela tua frente. Terás bons e maus momentos. Aprenderás a avaliar os gestos, as palavras e os outros. Por exemplo: que os tios gostam muito de dizer coisas.

Um beijinho de parabéns e vai-te divertir em vez de perderes mais tempo com esta merda!